Por Gabriel Castilho

It Boy Brasileiro e Estilita Pedro Lourenço


assinou sua primeira coleção com apenas 12 anos de idade, em 2003. O adolescente fez sua estréia profissional no mundo da moda criando da Carlota Joakina, a segunda marca de Glória Coelho, sua mãe. Ele é fruto do casamento de Gloria como estilistaReinaldo Lourenço. Na edição de inverno 2005 do SPFW, Pedro Lourenço lançou oficialmente a sua grife, que leva o seu nome. Mesmo com o sucesso alcançado em sete coleções (desde quando começou a desenhar para a Carlota Joakin), Pedro Lourenço resolveu abandonar a carreira, fazendo um desfile de despedida na 21ª edição do São Paulo Fashion Week em julho de 2006.

Aos dezesseis anos, o jovem estilista se afasta do processo criativo e planeja concluir os estudos no ensino médio, estudar francês e, na seqüência, cursar faculdade de História da Arte, na França.

Mas parece ter mudado de ideia, com apenas 19 anos, Lourenço fez sua primeira apresentação na capital mundial da moda em plena semana de Paris, em desfile paralelo à programação oficial do Outono/Inverno 2010/11, com o louvor de ter reunido na suntuosa sala do Westin alguns dos principais nomes que movem o motor da moda.

As editoras-chefe da “Vogue Paris”, Carine Roitfeld, e “Vogue Japão”, Anna delo Russo, a jornalista britânica Hillary Alexander, do “Telegraph”, o editor europeu da “Vogue America”, Hamish Bowles, e o fotógrafo norte-americano Michael Roberts esquentaram a primeira fila da apresentação. Entre os convidados menos estrelados, estavam representantes do blog The Moment, do jornal “The New York Times”, que contaram pelo Twitter, da sala de desfile, terem descoberto Lourenço ainda aos 14 anos.

Pode-se dizer que é um caso raro esses nomes terem ido espiar o que o brasileiro está fazendo, em uma semana cheia de eventos, desfiles e compromissos. Se esses poderosos da moda foram ver o desfile de Pedro Lourenço, fora do calendário oficial da semana parisiense, é possível afirmar que o garoto é uma promessa já consolidada. Os olhos desta turma não se viram para onde não haja expectativa de boas criações.

E a oportunidade de Pedro Lourenço parece não ter sido jogada fora. Todos os convidados ficaram até fim, aguardando a fila de modelos e o aceno de Lourenço, sorridente na boca de cena. Às vezes, quando não existe aprovação do que está sendo apresentado, alguns famosos levantam-se e saem antes mesmo do término do desfile.

01/10/2010 – Pedro Lourenço lança coleção em desfile super badalado e cheio figuras importantes do mundo fashion na Semana de moda de Paris PFW Aos 20 anos, completos há menos de três meses, Pedro Lourenço recebeu o UOL Estilo num prédio antigo com fachada sem qualquer glamour, onde foi montado o seu ateliê parisiense. Às vésperas de sua grande noite (a apresentação acontece nesta sexta, 1 de outubro, às 19h30 locais), não parecia disposto a complicar o que não fosse necessário. Concentrado, analisava cada detalhe na prova das roupas com referências a Joséphine (mulher de Napoleão) e ao baseball de sua coleção para o Verão 2011 europeu. Chegava perto da modelo, ajeitava a peça, pedia em inglês para que ela andasse. Também em inglês trocava opiniões breves com a stylist do desfile, a experiente Brana Wolf.

Na “platéia”, sentados há alguns metros de Pedro, Reinaldo Lourenço e Giovanni Bianco observavam o garoto. Gloria chegaria à tarde, com o restante da coleção. “Eu estou aqui como pai. Normalmente quando dou uma sugestão a primeira reação dele é a de dizer ‘não’. Depois pensa melhor e me dá razão. Ele sabe muito bem o que quer. E é muito teimoso”, conta Reinaldo.

Diretor de arte com reconhecimento internacional, consultor informal da carreira de Pedro, responsável pelo convite do desfile, foi Giovanni Bianco quem “mexeu os pauzinhos” e apresentou o estilista à KCD, influente relações públicas da moda. Com mailing e contatos poderosos, ficou a cargo da assessoria, que também funciona como produtora, organizar o primeiro desfile parisiense de Pedro e recrutar uma primeira fila com nomes como o de Carine Roitfeld (Vogue França), Hillary Alexander (“Telegraph”) e Sara Mower (“Style.com”). Pedro também cumpriu sua parte do trato e agradou em sua estreia, arrancando críticas elogiosas de todas as editoras citadas.

Daí a integrar a programação oficial, bastou uma reunião com Didier Grumbach, o presidente da Câmara Sindical da Costura e organizador da temporada parisiense, que já havia visto e gostado do “début” do brasileiro. No esquema francês, ninguém paga para entrar nem recebe ajuda de custo para desfilar, como em São Paulo, onde a estrutura da sala e a iluminação são oferecidas gratuitamente. Bem relacionado, Pedro também já teve contato com estilistas importantes. Recentemente, até recebeu convite para trabalhar com Donatella Versace, proposta que está estudando. Antes fez estágio de dois meses com o italiano Giambatista Valli, especialista em vestidos de festa vistos frequentemente em tapetes vermelhos. Também realizou três encontros com o incensado Alber Elbaz. Criou uma linha de roupa de banho a pedido do diretor criativo da Lanvin, que queria analisar sua relação com este universo tão brasileiro. “Ele me deu conselhos, foi muito bom”, conta. Quando o comentário é que Elbaz é o estilista do momento, logo rebate: “Prefiro o [Azzedine] Alaïa”. Mais adiante na conversa, cita Rei Kawakubo (Comme des Garçons), outro ícone dos anos 1980 com estilo praticamente oposto ao de Alaïa, como sua estilista preferida. Pedro, no entanto, não vê problema em apreciar os opostos. Muito pelo contrário. Mais do que paradoxal, ele gosta de definir seu estilo como “radical”, com grafismos e estrutura. “Gosto desta contraposição do feminino com o masculino, da agressividade com a delicadeza.”

Embora tenha uma visão bem definida sobre o próprio trabalho, Pedro não pára de ouvir opiniões sobre seu começo de carreira. Cathy Horn, do “New York Times”, foi uma das editoras de moda que analisaram o portifólio de Pedro num encontro particular. O designer procurou também Marie Rucki, diretora do estúdio Berçot, amiga de Reinaldo Lourenço e Gloria Coelho, além do diretor da central Saint Martins, conceituada escola de moda de Londres, que o aconselhou a não estudar estilismo e sim outros assuntos. “Eu cresci neste meio, já sabia muita coisa”, diz.

“Mimado” pela moda brasileira desde os doze anos quando lançou, com platéia cheia na principal temporada de desfiles do país sua primeira coleção em 2006. Pedro Lourenço parece querer imprimir um outro tipo de personalidade de criador contemporâneo. “A afetação é ‘demodé’. Mas tem afetação e tem ponto de vista forte. Isso você não pode abandonar, senão se perde”, acredita. Ele garante que considera as críticas, quando bem feitas, importantes para o desenvolvimento do estilista. Só não gosta de críticas “instantâneas” ou “geradas pela insegurança de saber se o que foi visto é bom ou não”. Este caso ele considera o da imprensa brasileira que já o criticou e apontou semelhanças entre seu trabalho e o da grife Balenciaga.

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